terça-feira, 4 de abril de 2017

China: Política externa e diplomacia no século XXI

Este foi um texto publicado por mim no jornal Algo a Dizer em dezembro de 2008.


"Após a virada do século XX a China, com um PIB de US$6.991.036 (segundo o FMI), a segunda maior extensão territorial do planeta (9.561.300 km²), maior população do mundo (1.321.851.888 habitantes) e um crescimento econômico médio na última década de quase 10% ao ano, se apresenta como a nova potência e a única, a médio prazo, capaz de competir com os EUA na “corrida” pela hegemonia mundial.

No meu entender, os objetivos primordiais da política externa chinesa são:

1- Manutenção e defesa da soberania e integridade territorial chinesa, através do respeito às normas do direito internacional, principalmente da soberania e integridade territorial (visando uma não interferência em assuntos internos). A diplomacia chinesa vem nas últimas décadas fazendo um grande esforço para resolver os conflitos territoriais com a maioria de seus vizinhos. A China necessita para o seu desenvolvimento interno, um cenário internacional pacífico, a começar por seus vizinhos.

Esse objetivo é também uma necessidade da diplomacia chinesa, inclusive levanta indagações de uma China que não respeitaria estes valores caso não precisasse: Taiwan. Onde a China tem a postura mais agressiva de sua política externa, com possibilidade até de um conflito armado. Mantendo relações diplomáticas apenas com países que não reconhecem Taiwan.

Além de Taiwan existem outras preocupações chinesas em seu território: o Tibet, em sua busca por autonomia, e o Sinkiang, de maioria muçulmana.

2- Criar um cenário internacional que aceite a China como uma nova potência. Para isso, a China busca a construção de um mundo multipolar em contrapartida a liderança mundial norte-americana, através de uma diplomacia e oratória orientada a externização da relação social (e cultural) interna de harmonia: de uma “harmonia interna”, para uma “harmonia no sistema internacional”. Utilizando-se principalmente de suas religiões: confucionismo e budismo, que prezam pela harmonia nas relações entre as pessoas, e transportando-as para o sistema internacional, no seu “desenvolvimento pacífico” pela harmonia nas relações entre os países através da multipolaridade: o multilateralismo e o terceiromundismo (cooperações Sul-Sul) são elementos centrais na diplomacia chinesa, na colaboração para um ambiente de paz (harmonia) propício ao desenvolvimento.

Utilizando essa oratória a China também se afasta da imagem norte-americana de potência hegemônica unilateral, criando uma maior aceitação, não apenas para uma China potência num mundo multipolar, mas também para uma China potência hegemônica. Afastando-se de uma opinião pública internacional anti-China, como podemos observar atualmente neste movimento anti-EUA.

3- Restabelecer a importância chinesa como um grande ator internacional responsável: reafirmar a importância histórica chinesa como um importante ator nas relações internacionais durante os últimos 500 anos, nos quais a China apenas perdeu influência no começo do século, e que esta ascensão chinesa não seria um surgimento, mas sim um ressurgimento da China como potência.

Demonstrar que a China é um ator que respeita as normas do direito internacional, e modificar as mazelas deixadas pelos acontecimentos na praça da Paz Celestial em 1989, quando o país foi severamente criticado pelo ocidente pelo desrespeito aos Direitos Humanos, deixando o posto de um país pioneiro em reformas socialistas, para o de um modelo retrógrado autoritário. O respeito aos direitos humanos, é uma forma de enfatizar o respeito pelo direito internacional: o respeito à soberania e a integridade territorial dos povos (sua luta pela China única).

4- Assegurar a demanda de seus recursos naturais. Principalmente através das relações com África e América Latina baseada em obter recursos naturais, além de mercados para as exportações chinesas. Enfatizando a cooperação Sul-Sul, a cooperação Norte-Sul, e sua diplomacia de independência, autonomia e paz."

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